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Estudo 4- Paternidade de Deus - Partes I
e II
Introdução
A nossa sociedade é uma sociedade que, dia
após dia, tem atacado os valores e
instituições mais importantes que existem.
Nesse sentido, temos visto a crise pela qual
a família tem passado. São inúmeros os casos
de divórcio, de adultério e até mesmo de
homossexualismo.
Em uma sociedade assim, o que mais falta são
referenciais que possam orientar o
adolescente; uma figura que tem cada vez
mais perdido o sentido para muitos meninos e
meninas é a do pai. Hoje, é normal encontrar
famílias constituídas apenas de mãe e
filhos, pois o pai, depois de muito tempo,
abandona essa família para ir em busca de um
novo relacionamento. Existem aqueles casos
de adolescentes que nunca experimentaram o
amor de um pai, simplesmente porque jamais
conviveram com um. Outros adolescentes até
têm um pai, mas ele é tão ausente que ter ou
não ter passa a ser a mesma coisa. Ainda
existem aqueles pais que, para cobrirem o
vácuo da sua ausência, deixam com que os
filhos façam de tudo ou vivem lhes enchendo
de presente e dinheiro, quando o que seus
filhos mais querem é a sua simples presença
e amizade.
O grande problema que é gerado com essa
deformação da figura paterna em nossa
sociedade é que passamos a ter muitos
adolescentes que não conseguem ter um
relacionamento com Deus e que não
compreendem que Este é seu Pai, pois o
exemplo de pai que tiveram ou têm é
negativo. Gostaria de dizer que apesar de
ser inevitável esse paralelo de Deus-Pai com
nossos pais humanos, não devemos nos limitar
e nos prender a essa visão que nos impede de
viver um relacionamento pleno com Deus.
Sendo assim, gostaria de trazer à sua
compreensão o que é ser Deus-Pai. Estaremos
procurando entender à paternidade de Deus
através da oração do Pai nosso que você vai
localizar em Mt 6.9-15
1. Pai Nosso que estás nos céus.
Quando um adolescente chega à compreensão de
que Deus é Pai, ele entende que Deus é
diferente. Nas palavras de Karl Barth: "Deus
é o totalmente outro". Ter Deus como pai nos
leva ao entendimento de que somos seus
filhos e mais que isso, nos tornamos
conscientes de que não estamos sós no mundo:
temos irmãos. O adolescente tem necessidade
de relacionar-se com as pessoas. Ele tem
particularidades e atitudes próprias que são
muitas vezes mal interpretadas, mas é a
partir da compreensão de que é filho de
Deus, que ele passará a ver o outro como
irmão, por ser esse filho de seu Pai. Na
paternidade espiritual, o adolescente será
levado à compreensão de que é o chamado de
Cristo que nos une, nos torna irmãos. Essa é
uma grande bênção que resulta do
entendimento de Deus como Pai para o
adolescente: a consciência de que ele não
está só no mundo, que tem um Pai e que este
o inseriu dentro de uma família de muitos
irmãos através do sacrifício de Jesus.
Entender que esse Pai que está nos céus o
leva a olhar para fora dele, a buscá-lo em
seu lugar, que é sempre mais elevado que o
dele: o céu.
2. Santificado seja o teu nome.
Outra coisa que deriva da paternidade de
Deus e que o adolescente precisa compreender
é que Deus é santo. Nossa vida deve ser
vivida de modo a não profanar o santo nome
de Deus e nem manchar seu Evangelho.
Reconhecer nosso Pai como santo é entender
que através dele somos chamados a ser santos
também (1Pe 1,16). Isso é libertador para o
adolescente, pois significa que o
adolescente está livre de buscar a santidade
por si mesmo, baseado em seus esforços,
significa, antes, que ele é santo e buscará
a santidade através do fato Deus ser santo.
Deus Pai, ao nos convidar a ser santo
através de si mesmo, mediante seu Filho,
queria nos libertar da escravidão de nossos
esforços que são inúteis sem a ação de nosso
Deus.
3. Venha o teu reino.
Quando entendo Deus como Pai, posso chamar
seu reino com confiança. Essa é a terceira
bênção que decorre do fato de Deus ser Pai.
Posso viver a realidade do seu reino aqui na
terra. Esse reino não é vivido como muitos
ensinam, baseados na busca de bens materiais
e coisas extraordinárias, mas é sim a
possibilidade de participar da construção do
Reino de Deus, no sentido de levar Deus Pai
a outros que se tornarão filhos e irmãos
nossos. Entender a benção do reino é muito
importante, pois nossa sociedade tem
procurado ensinar ao adolescente que o
consumismo, que os prazeres desordenados e
que a relativização das coisas são normais.
Essa é justamente a mensagem contrária ao
reino de Deus. Nosso Pai quer nos conduzir
através das "águas de descanso bem regadas",
mas também quer nos fazer entender que está
conosco quando entramos no "vale da sombra e
da morte", ou seja, o Pai é pai na alegria e
na dor, no prazer e na carência, em todas as
situações. Entender isso é fundamental para
o adolescente, pois só assim ele conseguirá
mudar de mentalidade, rejeitando os valores
estipulados pela sociedade como bons.
4. Faça-se a sua vontade, assim na terra
como no céu.
A partir do que já tem aprendido sobre a
paternidade de Deus, o adolescente chega a
um momento decisivo. Ele pode colaborar com
a visão deturpada que a sociedade tem a seu
respeito, ou seja, a compreensão de que ele
é um rebelde, que não sabe muito bem o que
quer, etc; ou pode se render ao seu Pai, e é
essa a quarta grande bênção: render-se a
Deus. Assumir que a vontade de nosso Pai é
melhor que a nossa e segui-la. Numa
sociedade que nos leva a fazer somente
aquilo que nos agrada, que frisa que nós
temos os nossos direitos e devemos
exigi-los, que nos ensina que certo é o que
nós chamamos de certo, que nos ensina a ser
egoístas e a querer o melhor sempre para nós
mesmos, essa benção da submissão, de se
submeter à vontade de Deus, entendendo-a
como o melhor para nós, é algo difícil até
mesmo de se encarar como bênção e é através
da vontade de nosso Pai que seremos
disciplinados e viveremos uma vida que está
mais de acordo com aquilo que Ele tem
preparado para nós. A grande verdade, porém,
é que temos medo dessa vontade de Deus. Como
adolescentes, pensamos que se nos
submetermos à vontade de Deus, essa será a
oportunidade ideal para Ele nos torturar,
para Ele destruir nossos sonhos. A verdade,
porém, é outra: Deus só tirará da nossa vida
aquilo que não O agrada e nem nos abençoa,
pois apesar de acharmos que entendemos muito
bem as coisas, é o nosso Pai Celestial quem
as contempla de uma maneira mais perfeita.
5. O pão nosso de cada dia dá-nos hoje.
A partir do entendimento de que a vontade de
Deu (nosso Pai) é a mais perfeita e a melhor
para a vida, o adolescente poderá entrar na
realidade das suas necessidades serem
supridas por Deus. Todo adolescente tem suas
carências, suas lutas, suas buscas. É a
necessidade do afeto, do amor, do respeito,
da presença que nos ajuda, a necessidade de
trabalho, de espiritualidade, de comunhão
com Deus. O adolescente é um ser social que
precisa de dinheiro, de divertimento, de
família e de todas as coisas já citadas
acima. O pedido pelo pão nosso de cada dia é
o pedido por cada uma dessas coisas e é o
entendimento de que elas só serão abençoadas
e satisfatórias se forem dadas por Deus.
Pedir pelo pão nosso de cada dia é ainda
mais que isso, é declarar a nossa total
falência, a nossa incapacidade de
conseguirmos algo de bom por nós mesmos. É
declarar que a vontade de Deus é perfeita e
é o melhor para nós. Quando o adolescente
pede pelo pão nosso de cada dia ele
precisará aprender que essa oração terá que
ser feita todos os dias. Cada dia
reconhecendo Deus como seu Pai, ele terá que
se achegar confiadamente a Ele e pedir-lhe
humildemente o pão que vai sustentá-lo
naquele dia. É esse mesmo pão que através da
vida dele o capacitará como filho de Deus a
repartir com seus irmãos. Esse é um desafio
grandioso, pois quando pedimos algo a Deus
nem mesmo pensamos em dividi-lo com o nosso
próximo. Com o pão nosso de cada dia não
poderá ser assim, pois ele existe para ser
colocado na mesa e comido em comunhão.
6. E perdoa as nossas dívidas, assim como
nós temos perdoado aos nossos devedores.
Outra grande dádiva que vem de vivermos
debaixo da compreensão da paternidade de
Deus é a de que nós somos perdoados pelo
nosso Pai celestial mediante o sacrifício de
Jesus Cristo na cruz. Mas o adolescente
perguntará: de que fomos perdoados? Fomos
perdoados do afastamento de Deus, perdoados
dos nossos erros, da nossa prostituição,
fomos perdoados do nosso egoísmo, enfim, das
obras da carne. E isso é uma benção, que uma
vez mais, por Deus ser nosso Pai, nos leva à
lembrança de que como filhos não somos
únicos, somos filhos que têm irmãos. E nesse
sentido onde está a bênção? Está no fato de
que posso colocar aquilo que aprendi com meu
Pai em prática. Porque fui perdoado e
aprendi o que é o perdão, posso perdoar o
meu irmão que está em falta comigo. Na
verdade, podemos definir a comunidade cristã
como a comunidade dos pecadores perdoados
que são chamados a perdoar os irmãos. Diante
de Deus, somos culpados conjuntamente.
Assim, não posso simplesmente decidir não
perdoar o outro, pois não perdoando o outro
em certo sentido, não estou me perdoando e
estou me fechando para a possibilidade do
perdão de Deus. Existem alguns adolescentes
que jamais perdoam o que outros fizeram com
eles, sem jamais levar em conta o que fazem
com os outros todos os dias e ainda mais sem
levar em conta o perdão de Deus. São como o
servo da parábola que, depois de perdoado
por seu Senhor, ao encontrar-se com um
conservo seu que o devia, o lançou na prisão
sem perdão. Esse homem, como muitos
adolescentes, não entendeu a bênção de ser
perdoado, ou seja, não aprendeu que somos
perdoados para nos tornarmos perdoadores.
7. E não nos deixes cair em tentação, mas
livra-nos do mal.
Todos os dias, os adolescentes são expostos
a diversas tentações. Entender Deus como Pai
é entender seu amor infinito que nos quer
fazer passar aprovados por essas tentações
para sermos livres do mal do pecado, do
diabo e do mundo. Ser filho de Deus é
reconhecer a atuação do mal no mundo através
do pecado, do diabo e da carne (modo egoísta
de viver no mundo). Assim sendo, ser filho
de Deus nos leva para a dimensão de sermos
lutadores. O adolescente é chamado por Deus
Pai para resistir ao Diabo, para fugir das
paixões da mocidade e para não ter nada com
a mentalidade corrupta que impera no mundo.
Essa chamada para sermos filhos lutadores de
Deus é a chamada para o entendimento de que
existem forças atuando em nosso mundo que
querem nos fazer viver como bastardos. No
entanto, somos chamados a ser filhos e não
bastardos, como dizem as Escrituras (Hb
12.4-12). Como adolescentes, temos a
tentação de querermos ser logo
independentes. Essa tentação é um mal,
porque o convite de Jesus para nós que somos
filhos de Deus é sermos como crianças. Isso
é particularmente forte se lembrarmos que,
quando Jesus falou isso, estava cercado de
crianças que seus discípulos, momentos
antes, queriam afastar de sua presença.
Temos também a tentação de nos julgar
melhores que os outros e diante de Deus
somos todos filhos e chamados a considerar
os outros mais que a nós mesmos.
Conclusão: Amém!
Amém, quer dizer "assim seja". Que se cumpra
a nossa oração e não a nossa vontade. Que
nossa oração que reconhece a dimensão da
superioridade de Deus, que nos coloca no
nosso lugar de homens, e Deus realmente como
Deus, possa se concretizar. O adolescente,
através do amém, aprenderá a viver uma vida
de coragem. É preciso vencer o medo que
temos e realmente confiar em Deus como um
Pai amoroso para podermos dizer amém
realmente, pois esse amém é a própria
renúncia do que achamos correto e a
declaração de que enfim é nosso Pai que quer
o melhor para nós.
O amém nos leva, como adolescentes, para a
compreensão de que não seremos filhos
eternamente. Deus nos assume como seus
filhos para nos tornarmos pais espirituais
de outros. A grande questão é que jamais
chegaremos a serem pais se não aprendermos a
ser filhos verdadeiramente, e só somos
filhos quando, apesar de qualquer coisa,
olhamos para o céu e aprendemos a dizer
intimamente e humildemente: Aba, Pai!
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