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Estudo 14- O dom esquecido: ser servo
“Houve um homem enviado de Deus, cujo nome
era João. Ele veio como testemunha, a fim de
dar testemunho da luz, para que todos
cressem por meio dele.” Jo 1.6
Ele vem da parte de Deus
Para que isso aconteça, devemos primeiro
estar com Deus. Infelizmente, este é o ponto
fraco de muitos. Os estímulos que envolvem o
serviço têm uma atração para os gostos
naturais que a tranqüilidade santa do templo
não possui. De certa maneira, o serviço nos
torna “alguém”, mas na presença de Deus
descobrimos que nada somos. Precisa-se de
homens que realmente estejam com Deus. Não
existe frescor ou poder se não estamos com
Deus. Nosso coração perde a sua
sensibilidade ao que é divino.
Em pouco tempo, o servo começa a se sentir
satisfeito com o seu serviço, e essa
satisfação é tão absurda que o servo não se
deixa perturbar nem pela ausência do favor e
da bênção de Deus.
Contudo, se estamos com Deus, temos
realidade espiritual em relação à nossa
própria experiência. Não nos enganamos no
que diz respeito ao nosso progresso, dom ou
fé. Não pensamos de nós além do que convém,
mas pensamos com moderação (Rm 12.3). Além
disso, é com Deus que aprendemos. Havendo
estado com Deus no secreto da Sua presença,
podemos vir a Deus no poder do que
aprendemos interiormente, para servir neste
nosso mundo. Não medimos, então, o poder do
inimigo com nossa fraqueza, mas o comparamos
com Deus. Não vestimos a armadura que outros
usaram (1Sm 17.38) nem seguimos o caminho
trilhado por outros servos. Em todo servo
existe uma originalidade que vem da parte de
Deus. Deus não usa o mesmo molde para formar
dois servos – isto é obra do homem -, é na
exata proporção que somos formados no
templo, assim, cada um terá o seu talento
peculiar para seu próprio serviço e será
selado de tal modo que a fé reconhecerá que
ele vem de Deus.
Tem consciência de que nada é
A segunda característica de um servo é
que ele tem consciência de não ser nada.
João podia falar de si mesmo como apenas uma
“voz” (Jo 1.23), e outro maior do que João,
tinha consciência de ser “o menor de todos
os santos” (Ef 3.8) No momento em que
julgamos ser alguma coisa, saímos da
verdadeira posição e espírito de servos.
Existe um contraste entre a descrição dele a
respeito de si mesmo (Jo 1.22-27) da dada
pelo Senhor (Lc 7.26-28). Quanto mais
merecedores somos do elogio do Senhor, menos
pensamos a respeito de nós mesmos.
Uma testemunha
A terceira característica de um servo é
que ele é testemunha. Ele fala daquilo que
tem visto e conhecido por si mesmo. Foi dito
a Paulo que ele deveria ser testemunha tanto
das coisas que tinha visto como daquelas que
o Senhor haveria de lhe aparecer (At 26.16).
Podemos ministrar coisas que nunca passaram
a fazer parte de nós, mas não podemos ser
testemunhas delas. Daí a profunda
importância de se cultivar a comunhão com
Deus e a crescente intimidade com Cristo. Em
vez de enfraquecer nosso testemunho do
Evangelho, essa comunhão nos torna mais
verdadeiros. Nossa pregação e ministração
geralmente carecem de peso, porque
experimentamos tão pouco das coisas de que
falamos. Nós mesmos devemos entrar – quer
seja no terror do Senhor, no amor de Deus,
no valor da obra de Cristo ou nas bênçãos
que a fé desfruta – em tudo aquilo que, com
insistência apresentamos aos outros. Caso
contrário, tornamo-nos apenas
conferencistas, dançarinos, atores, cantores
em vez de testemunhas.
Devoção abnegada a Cristo
Outra característica do servo é a
devoção abnegada a Cristo. João estava
pronto a diminuir a fim de que Cristo
pudesse crescer (Jo 3.30). João estava
disposto a ser deslocado a fim de ficar na
sombra e ser abandonado até mesmo por seus
discípulos. O resultado de seu testemunho
era a prova da sua realidade dos fatos
divinos: homens deixaram a João e seguiram a
Jesus. Isso lhe proporcionou uma verdadeira
alegria (Jo 3.29), pois moralmente ele havia
desistido de si mesmo e encontrado o
objetivo e o motivo do seu talento e dom no
cordeiro de Deus. O resultado do seu
testemunho foi realizar-nos outro o que fora
primeiro realizado nele mesmo, e esse é o
alvo do verdadeiro serviço. Podemos, pela
graça, trazer outros para onde estamos, mas
não podemos elevá-los acima de nosso próprio
nível. Quão profundamente importante é,
então, o objetivo e o motivo de toda a nossa
vida e de nosso serviço. Nossa declaração
deve ser “ Para mim o viver é Cristo”. ( Fp
1.21).
Só então a realidade dessas diferentes
características poderá ser realmente
provada. Satanás não perderá a oportunidade
de peneirar como trigo o servo de Cristo (Lc
22.31) e, por outro lado, Deus permite o
peneirar visando a nos humilhar, ao
descobrirmos que não somos tão espirituais
ou dedicados como pensávamos ser.
Quantos servos se exaltaram com orgulho em
circunstâncias semelhantes a esta em gênero
e em grau? Um auditório lotado, a aprovação
do mundo ou dos irmãos, a estima devidamente
correta e alegremente prestada a um honrado
servo de Deus e, até mesmo, sucesso nos
trabalhos espirituais, atuarão nesse nosso
miserável coração e nos farão sentir a
exaltação carnal, se não estivermos, por
meio da graça, no contínuo exercício de nos
julgarmos a nós mesmos. Se os olhos de João
não estivessem firmemente fixados na Pessoa
gloriosa da qual ele era apenas um arauto,
ele poderia pensar de si mesmo como sendo
digno de posição mais elevada do que a do
servo que curva para desatar a sandália do
Senhor. Mas com a glória divina Daquele que
estava diante dele, ele não julgaria ser
digno de lhe prestar o serviço mais humilde.
Mas João teria que ser provado, como muitos
outros servos. Ele precisa conhecer o vento
norte da adversidade e o vento sul da
prosperidade (Ct 4.16) Ele deve ser
transferido do grande aprisco do rebanho
para a solidão do deserto e a aparente
inutilidade da prisão, principalmente quando
mais parecia necessário.
Pense em João como um leão enjaulado,
enclausurado num castelo solitário na
sombria praia do Mar Morto, ouvindo as
coisas gloriosas que estavam sendo
proclamadas pela região. (Lc 7.17-18). Você
fica surpreso ao saber que, quando tais
notícias chegaram aos seus ouvidos, seu
espírito se tornou impaciente no
confinamento que o impedia de participar de
tudo isso? Nos dias da sua prosperidade, ele
havia dito, realmente que não era nada, mas
agora ele havia sido levado a entrar nisso
de forma prática. O reino de Deus estava
sendo pregado sem ele; coisas maravilhosas
estavam sendo feitas e ele, pessoalmente,
não tinha nenhuma participação nelas – a
obra de Deus prosseguia sem o servo João.
Todo servo que conhece seu próprio coração
sabe descrever os sentimentos naturais que
surgem numa hora dessas.
A lição para todos
Estou ciente de que aceitamos essas
palavras em teoria, mas é outra coisa
aprender tal lição na própria experiência
com Deus. Quando aprendia essa lição, João
se escandalizou Naquele cujas sandálias ele
havia declarado não ser digno de desamarrar
ou desatar. A pergunta que seus discípulos
levaram a Jesus (Lc 7.19) era uma repreensão
muito mal disfarçada ao Mestre, pois este
permitia que o servo fosse detido em
circunstâncias que faziam dele um nada.
Freqüentemente, tem-se observado que o santo
falha naquele ponto que é a sua principal
característica, e foi isso que aconteceu com
João.
Sempre que o servo é diminuído aos seus
próprios olhos e aos olhos dos outros
também, é que o orgulho do seu coração se
descobre. Nessa hora, o melhor é se dobrar
em submissão e não dar coices contra o
aguilhão da soberania de Deus (At 26.24).
O servo precisa ser marcado com essas
características expostas para que não seja
tocado pela exaltação no dia do sucesso e
nem venha a desmaiar no dia da adversidade.
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